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Transição de carreira no momento 50+ Etapa 2 (Metas Claras e Cronograma)

  • Foto do escritor: Clauber de Andrade
    Clauber de Andrade
  • há 11 horas
  • 8 min de leitura
Planejamento de carreira 50+: metas claras e cronograma estratégico
Planejamento de carreira 50+: metas claras e cronograma estratégico

Resumo


Dando continuidade à série sobre transição de carreira no momento 50+, este artigo aborda a segunda etapa do modelo estruturado: a definição de metas claras e a elaboração de um cronograma. Nesta fase, o propósito e os objetivos de longo prazo — definidos na etapa anterior — se transformam em um conjunto de metas concretas e alcançáveis. Mais do que um exercício de planejamento, trata-se de dar forma e direção à intenção, construindo um caminho prático que conecta o futuro desejado às ações do presente.


Introdução


No artigo anterior desta série (Transição de carreira no momento 50+ - Etapa 1 (Propósito e Objetivos de Longo Prazo), apresentei a importância do propósito e dos objetivos de longo prazo como o ponto de partida para um planejamento de carreira consistente.


A segunda etapa desse modelo estruturado é justamente o momento de definir as metas e estabelecer um cronograma de execução. Aqui, o profissional começa a transformar o pensamento estratégico em plano tático — ou, em outras palavras, passa da reflexão para a ação.


Enquanto o propósito dá o sentido, enquanto os objetivos de longo prazo apontam o destino, as metas as metas dão a forma mostram o caminho para chegar até lá.


Da visão à concretização: a importância de definir metas e planos de ação


No artigo anterior, refletimos sobre a importância de compreender o propósito, o significado e os objetivos de longo prazo como ponto de partida de qualquer planejamento de transição de carreira.


Esse foi o momento de olhar para dentro e identificar o que realmente dá sentido à sua trajetória — aquilo em que você é bom, o que gosta de fazer, o que o mundo precisa e pelo que as pessoas estariam dispostas a pagar.


Essas quatro dimensões, inspiradas no conceito de Ikigai, ajudam a construir uma visão mais completa sobre quem você é, o que deseja e o impacto que quer gerar por meio do seu trabalho. Ter clareza sobre esses elementos torna o objetivo de longo prazo mais autêntico, coerente com seus valores e alinhado às suas competências e aspirações.


A partir dessa visão clara de propósito e objetivos, o próximo passo é dar forma concreta ao seu destino profissional. Agora é hora de transformar essa intenção em movimento, definindo um conjunto de metas que pavimentará o caminho entre o propósito e a realização.


O objetivo deve ser entendido como o ponto de chegada — o destino a ser alcançado —, enquanto o conjunto de metas representa os marcos intermediários que tornam o percurso viável e mensurável. Cada meta é um passo que aproxima o profissional do objetivo final, fortalecendo a percepção de avanço e mantendo o foco na direção certa.

Como destacam Locke e Latham (2002), metas bem estabelecidas ajudam a converter intenção em direção. Sem elas, o objetivo corre o risco de permanecer apenas como inspiração vaga, sem força para orientar o comportamento. Quando há um conjunto coerente de metas, o percurso se torna estruturado, permitindo direcionar tempo, energia e atenção para o que realmente importa.


Para tornar estas afirmações um pouco mais tangíveis, vamos a um exemplo prático. Se o seu objetivo de longo prazo é atuar como conselheiro ou consultor estratégico e a sua transição de carreira para o momento 50+ ser direcionada à este objetivo, o conjunto de metas pode incluir uma série de ações que devem suportar o conjunto de atividades necessárias para que você alcance este destino ao longo do tempo.


Participar de um programa de formação em governança corporativa, ampliar sua rede de contatos estratégicos, assumir projetos que fortaleçam sua capacidade de análise e influência e buscar mentoria com executivos experientes, podem ser exemplos de metas a serem estabelecidas com o foco de pavimentar a sua trajetória para esta transição de carreira.


Cada uma dessas metas é um componente tático que transforma um ideal de futuro em uma sequência prática e mensurável de ações.


Do plano à prática: a importância do cronograma


Na sequência deste processo, além das metas, você deve pensar em desenvolver um verdadeiro plano de ação. O plano de ação deve representar o “como” necessário para viabilizar o “o quê” de cada uma de suas metas.


É neste momento que você começará desenvolver uma visão clara de transformação das aspirações em aspectos práticos, com atividades, prazos e prioridades.

Ou seja, para cada uma das metas estabelecidas, você deverá pensar em quais são ações necessárias para que você tenha sucesso em atingir tais metas.


Voltando ao exemplo utilizado neste artigo: se uma de suas metas, por exemplo, for assumir projetos que fortaleçam sua capacidade de análise e influência, é momento agora de relacionar o plano de ação necessário, como, por exemplo: voluntariar-se para liderar uma iniciativa transversal dentro da sua empresa, buscar mentoria ou coaching voltado a competências de liderança e tomada de decisão, ou ainda integrar-se a comitês internos, grupos de inovação ou conselhos consultivos de pequenas empresas ou ONGs.


Essas ações tornam o plano de ação palpável e mensurável, traduzindo intenções em movimento real. O segredo é garantir que cada atividade seja intencionalmente conectada ao propósito maior — e que o cronograma estabelecido permita acompanhar o progresso com regularidade, revisando o caminho quando necessário.

É importante também que o seu plano de ações contemple um cronograma estruturado, que converta suas intenções em movimento contínuo e definidos ao longo do tempo.


Segundo Locke e Latham (2002), o comprometimento com as metas aumenta significativamente quando há clareza não apenas do o quê, mas também do quando e do como se pretende agir. Essa estrutura temporal estimula a motivação, a percepção de progresso e o senso de autorresponsabilidade.


Ao criar um cronograma, o profissional passa a enxergar o processo de transição de forma mais realista e organizada. Ele deixa de ser um projeto abstrato e se torna um plano concreto, com etapas visíveis e pontos de acompanhamento.

Um bom cronograma pode ser estruturado em três horizontes de tempo:


  • Curto prazo (até 1 ano): consolidação de ações imediatas, como formação técnica, leituras dirigidas e fortalecimento de rede de contatos.

  • Médio prazo (2 a 3 anos): desenvolvimento de novas competências, envolvimento em projetos estratégicos ou início de uma atuação de transição.

  • Longo prazo (4 a 10 anos): consolidação do novo posicionamento de carreira, seja em consultoria, conselhos, docência ou empreendedorismo.


Entretanto, um cronograma não deve ser uma prisão de prazos, mas sim um instrumento de ritmo e consistência. Ele deve ser vivo e dinâmico. Como aponta Gollwitzer (1999), a efetividade de um plano depende da capacidade de ajustar comportamentos às circunstâncias, mantendo o foco no resultado, mas com flexibilidade para aprender e recalibrar o caminho.


A chave, portanto, está em manter uma intenção firme e um método flexível. O cronograma organiza a jornada, mas o aprendizado contínuo é o que garante que cada etapa faça sentido ao longo do tempo.


A amplitude necessária de um plano de ação eficaz


Para que o planejamento de transição de carreira para o momento 50+ seja bem-sucedido é importante que o plano de ação seja amplo, diversificado e integrado. Muitas vezes, profissionais limitam o planejamento apenas a cursos ou qualificações técnicas — o que, embora importante, representa apenas uma parte do caminho.


Um plano de ação eficaz precisa abranger diferentes naturezas de atividades, cada uma contribuindo para uma dimensão específica do desenvolvimento profissional, devendo incluir, por exemplo, (i) desenvolvimento técnico, voltado a atualizar conhecimentos e adquirir novas habilidades essenciais ao objetivo de longo prazo; (ii) experiências práticas, que aproximam o profissional do contexto desejado — como atuar em projetos, participar de comitês, mentorias ou trabalhos voluntários estratégicos; (iii) desenvolvimento comportamental, com foco em habilidades socioemocionais, que seja necessárias à nova nova fase da carreira; ou (iv) construção de visibilidade e reputação, por meio de participação em eventos, publicação de artigos, atuação em redes profissionais e fortalecimento da marca pessoal, dentre outras .


Essas dimensões não são excludentes, mas complementares. O plano de ação deve refletir o que você quer ser e também o que precisa viver para se tornar essa versão futura.


Como destacam Boyatzis e Kolb (2000), o aprendizado adulto é mais eficaz quando ocorre por meio de múltiplas experiências que envolvem reflexão, prática e feedback — exatamente o tipo de vivência que um plano de ação amplo pode proporcionar.


Por isso, pense no seu plano de ação como um ecossistema de desenvolvimento: quanto mais diversificado e coerente ele for, mais sustentáveis serão os resultados. E lembre-se — o próximo passo desse modelo estruturado será justamente aprofundar uma dessas dimensões: o desenvolvimento de competências, tema do próximo artigo desta série.


 Algumas boas práticas para definição de suas metas


O modelo SMART (Doran, 1981) é reconhecido há décadas como uma das formas mais eficazes de estabelecer metas — específicas, mensuráveis, alcançáveis, relevantes e temporais. Essa estrutura é especialmente útil para metas de curto e médio prazo, pois oferece clareza, mensuração e compromisso.


Entretanto, quando falamos de planejamento de longo prazo e, especialmente, de transição de carreira na meia-idade, o foco pode ser diferente. Aqui, mais importante do que detalhar cada variável é garantir uma direção clara e coerente com o propósito definido anteriormente.


Pense nas metas como uma bússola e não como um mapa detalhado. Elas devem apontar o rumo, permitindo ajustes ao longo do caminho, e não prender o profissional a uma sequência rígida de etapas.


Metas excessivamente rígidas podem gerar ansiedade, enquanto metas que expressam propósito e direção funcionam como guias internos. Elas sustentam a motivação, fortalecem o senso de progresso e mantêm o alinhamento com o propósito de longo prazo — mesmo quando o percurso exige revisões e adaptações.


Portanto, ao definir suas metas para a transição 50+, preocupe-se menos em descrever todos os detalhes e mais em garantir que a direção esteja firme e inspiradora. Essa clareza de rumo é o que permitirá que seus planos de ação sejam consistentes, coerentes e sustentáveis ao longo dos anos.


Conclusão


A definição de metas claras e a construção de um cronograma representam o elo entre o propósito (definido na Etapa 1) e a ação efetiva. É o momento em que a visão de futuro se transforma em um plano tangível, capaz de dar ritmo, consistência e confiança ao processo de transição.


Mais do que um exercício técnico de planejamento, definir metas é um ato de autoliderança — um compromisso com o próprio desenvolvimento e um gesto de maturidade profissional. As metas conectam o presente ao futuro, transformam intenção em direção e consolidam o protagonismo sobre a própria trajetória.


Quando você assume o papel de arquiteto da sua própria carreira, o futuro deixa de ser um território de incerteza e passa a ser um campo de construção. Cada meta traçada é um tijolo colocado na ponte entre o que você é hoje e o que deseja se tornar. É essa clareza de direção que sustenta a confiança necessária para avançar, mesmo quando o caminho exige paciência e adaptação.


Por isso, ao seguir sua jornada de transição, lembre-se: propósito sem ação é apenas sonho; e ação sem direção é movimento sem sentido. O equilíbrio entre os dois é o que diferencia uma mudança de uma verdadeira transformação.


No próximo artigo desta série, falaremos sobre a Etapa 3 — Desenvolvimento de Competências, e como traduzir essas metas em crescimento concreto, ampliando capacidades e criando as condições para que o futuro que você projetou se torne realidade.


Referências Bibliográficas


  • BOYATZIS, Richard E.; KOLB, David A. Assessing individual learning using the learning skills profile. Journal of Management Education, v. 24, n. 1, p. 5–28, 2000.

  • DORAN, George T. There’s a S.M.A.R.T. way to write management’s goals and objectives. Management Review, v. 70, n. 11, p. 35–36, 1981.

  • GOLLWITZER, Peter M. Implementation intentions: Strong effects of simple plans. American Psychologist, v. 54, n. 7, p. 493–503, 1999.

  • LOCKE, Edwin A.; LATHAM, Gary P. A theory of goal setting and task performance. Englewood Cliffs: Prentice Hall, 1991.


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